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Os resgatadores de plantas

Chamo-me Monstera deliciosa, também conhecida como costela de Adão e sou uma planta resgatada.

Para quem acha que as plantas estão sempre no mesmo lugar, garanto que não é bem assim. Já nem me lembro de em quantos vasos e lugares habitei, antes de chegar a esta casa onde vivem dois artistas, um adolescente, dois gatos e uma cadelinha, a Leica.

Como cheguei aqui, depois de meses numa loja fechada pelos confinamentos sanitários? A Silvia, que é fotógrafa, via-me quando passava pela montra, a caminho do trabalho. Semana após semana, eu ia definhando, entre Potus, heras e gerânios, até que o confinamento acabou, a loja reabriu e ela levou-me por poucos euros.

Como o meu vaso tinha uma etiqueta que dizia: “Origem: México” e a fotógrafa gosta muito da Frida Khalo, agora chama-me Frida.

Pintura a óleo de Frida Kahlo (detalhe)
© Banco de México Diego Rivera Frida Kahlo Museums Trust, Mexico

Sinto-me bem nesta casa, juntamente com outras plantas que vieram de diferentes lugares, quase todas trazidas em muito mau estado, por terem sido deixadas na rua ou perto de contentores de lixo: uma Aloe quase sem folhas e cheia de cicatrizes, uma palmeira, uma Yucca e muitas outras. Sim, elas contaram-me as suas estórias, porque nós, as plantas comunicamos umas com as outras de muitas maneiras, até através de aromas. Como estamos em vasos, estamos mais limitadas, mas partilhamos a mesma curiosidade: o que levou os artistas a cuidar de plantas que a maioria das pessoas nem vê ou dá por mortas? 

imagens © memoriadepez.photo

Uma tarde ouvi uma conversa entre os dois e uma prima, onde contavam desde quando e porquê resgatam plantas.

Para a Silvia, isto é algo que faz desde pequena por tradição familiar: a mãe e a avó adoram flores e sempre recolheram plantas na rua para cuidar delas em casa. Ela também leva para casa todas as plantas abandonadas que encontra, mesmo que estejam em muito mau estado. Aprecia-as como seres vivos, gosta de lhes dar uma outra oportunidade e mantém a esperança de conseguir recuperá-las, o que às vezes acontece e outras não. Informa-se sobre elas, cuida-as e põe-lhes nomes. Fica encantada cada vez que aparece uma folha nova ou um rebento!

Na casa dos pais do Gerard também havia plantas, mas não tinham por costume recolher as abandonadas. A primeira que ele adotou foi quando era criança: uma suculenta que havia na sua escola, conhecida como planta jade ou da felicidade (Crassula ovata). Lembra-se de que viu uma parte da planta partida e levou-a para casa. Plantou-a num vaso, ela cresceu e ainda vive. A partir daí, além das plantas abandonadas, também resgata objetos porque gosta de prolongar a vida das coisas. 

A Silvia disse que para ela as plantas têm vida e os objetos têm memória. É bem certo, sobretudo se os objetos são feitos de madeira, porque a madeira tem parte da memória da árvore que foi. Às vezes também fica a memória de quando se produziram, quem os fez e quem os utilizou. Se os objetos falassem, quantas estórias nos contariam?

Entre os dois artistas, juntaram várias plantas que sobreviveram e cujas mudas já tiveram mudas. Têm-nas distribuído pela família e amigos: cactos, violetas…. Assim, além da amizade, partilham as plantas que lhes dão alegria. E os amigos também partilham as suas.

Acabaram a conversa a rir e a dizer:  

“Promovemos a adoção total entre os amigos!!! Animas-te a resgatar?”

Esta é uma história real, vivida pelos protagonistas desde Março de 2020.

Olá, sou eu, a Frida-Monstera novamente!
Ouvi-os falar sobre uns sites e uma aplicação onde obtêm informações sobre as plantas:

Casa Azul. Museo Frida Kahlo

A Silvia recomendou visitar virtualmente a casa museu da Frida Khalo, também chamada Casa Azul, que é no México. No jardim há muitas plantas da minha espécie.
Casa-Museo Frida Kahlo

A Silvia recomendou visitar virtualmente a casa museu da Frida Khalo, também chamada Casa Azul, que é no México. No jardim há muitas plantas da minha espécie.
Casa-Museo Frida Kahlo

Picture This App

Para saber qual o nome das espécies que encontra, ela usa o aplicativo
Picture This

Para saber qual o nome das espécies que encontra, ela usa o aplicativo
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Sugerem conhecer a visão de Jan Vankmajer, sobre a memória dos objetos (em espanhol)

Para saber mais sobre os sentidos das plantas

Mancuso, S. & Viola, A. (2016). Verde brilhante: a sensibilidade e a inteligência das plantas. Lisboa: Gradiva. 200 p.

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a colecionadora de sementes

A colecionadora de sementes

Cada semente é um manual de instruções para construir uma nova planta, seja uma pequena erva ou uma grande sequoia.

Olá, sou uma semente de abacate que germinou e cresceu. Há muitas sementes a germinar e a crescer, assim talvez perguntem: o que tem esta semente de especial?

Ora fui uma semente de coleção, a primeira das sementes que a colecionadora conseguiu fazer germinar e vou contar a história de como e porquê ela e eu nos conhecemos.

Tudo começou há cerca de um ano, quando a Margarida, que gosta muito de cozinhar, quis fazer uma horta e começou a procurar vídeos no youtube sobre como iniciar uma.

Ela viu muitos vídeos e acabou atraída por um, onde um rapaz mostrava como ajudar a germinar sementes de abacate.

Também gostou de outro, de uma mãe de família que vivia numa quinta e cultivava mais de 100 tipos diferentes de tomate. Os vídeos inspiraram-na a começar a guardar sementes dos frutos que comia, primeiro de tomate, depois de courgette, abóbora, abacate, entre outras. A verdade é que alguns meses depois,…

imagens © Margarida Monteiro

…a semente que eu fui germinou após uma paciente espera, e agora sou um pequeno abacateiro de lindas folhas grandes. A Margarida além de ter mais sementes a germinar, começou a colecioná-las e ouvi uma conversa onde contava o que a levou a isso:

“Comecei a olhar para as sementes de outra maneira depois de ver o documentário SEEDS; tantas vezes as desvalorizei no passado… mas passei a olhá-las como algo do qual a minha vida depende. Hoje já não olho para uma semente como se fosse lixo. 

Claro que o processo culinário começou a demorar mais tempo. Cada vez que corto os alimentos tenho de ter atenção às sementes: separá-las, lavá-las, secá-las… e dizer às outras pessoas para guardar sementes também. E no início as pessoas perguntavam: Porque estás a fazer isto? Estás a ser chata, deixa-me lá cortar isto! Para que é que queres isto? Porque é que isto te interessa? Qual é o valor disto?

Como eu tinha visto o documentário, quando era questionada, respondia: – Olha que “isto” é muito importante! É vida! Acho que foi um desbloqueador de conversa e que as pessoas entenderam. Para mim foi conseguir passar a mensagem, porque depois, elas próprias já o faziam. Tive vários casos em que eu chegava e já me tinham separado as sementes: Olha, tens ali as sementes das pimentas, tens as sementes dos tomates, queres as sementes de abacate? Perdi a conta de quantas sementes de abacate tenho.

Uma vez comprámos uma abóbora e quando a abrimos, metade das sementes da abóbora  já estavam germinadas e foram diretamente para a terra e as abóboras que depois tive, eram sementes já germinadas porque tinham começado o seu processo de germinação ainda dentro da abóbora. E ao final, eu tinha não sei quantas mil abóboras e não sei quantos mil tomates, ha!ha!ha!

O processo de germinação é um ato de amor e carinho. Cada semente tem as suas características, umas preferem ficar na água, outras diretamente na terra, cada tipo tem as suas particularidades. Houve muitos testes falhados e muitos que deram frutos que até já foram comidos, como os das sementes de tomates que iniciaram a coleção. É preciso ter condições ideais para guardá-las e para germiná-las. 

Procurei também outras coisas para fazer com as sementes, por exemplo, as de abacate podem ser usadas em cosmética. E comecei a guardar caixas, para guardar sementes. Ver o processo completo, ver como nós damos esse olhar à terra e como ela retribui, continua até hoje.

Colecionar sementes do que se come é fonte de conversa e partilha, além do que, o acompanhar o seu processo de germinação e de ver como cada planta cresce, gera um vínculo, é como ver crescer um pequeno bebé.

Esta inspiração chegou a mais pessoas que também decidiram começar a guardar e germinar sementes, geralmente as grandes, como as de abacate ou manga, porque as pequeninas exigem mais cuidados, são mais difíceis de se desenvolver num apartamento. Para mim já valeu a partilha.

As sementes ganharam vida para mim. É como se agora conseguisse ver que têm dentro a sua própria vida e a minha também e, sem elas não existe nada. Como elas, há muitas coisas para as quais não olhamos e damos por garantidas, acabando por menosprezar o que a natureza nos dá… As sementes não são algo garantido, é preciso cuidar, conservar.”

a semente feliz Estou feliz por ter sido uma semente escolhida pela Margarida.

E vocês já escolheram a vossa?

Esta é uma história real, vivida pela Margarida desde Fevereiro de 2020.

Sugestões para saber mais sobre as sementes de plantas comestíveis

Vídeo da germinação de sementes de abacate

Vídeo da família que cultiva 115 variedades de tomate

Vídeo da germinação de sementes de abacate

Vídeo da família que cultiva 115 variedades de tomate

Sobre sementes

https://www.sementesvivas.bio/pt/

https://grain.org/en/article/6619-animacao-upov-o-grande-roubo-das-sementes

Sobre hortas urbanas 

https://www.re-planta.pt/2012/10/01/agricultura-sustentavel-na-internet/

https://www.ervasfinas.com/

Sobre germinados

MIgardener Channel

Becoming gardener Channel

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Abelha, especie do mes

Abelhas

Elas são a maioria entre os animais polinizadores que garantem a reprodução de 70% de todas as plantas do mundo1.

Assim como eles, dependem das flores para se nutrir e, algumas, também produzem um alimento muito doce, completo e com efeitos medicinais. Podem gerar um certo temor quando as temos por perto, porque a sua defesa é um ato final para elas e uma picada dolorosa para nós.

São tão importantes que começam a ter proteção legal nalguns países, além de estimular outras formas de fazer os cultivos. E até já se plantam jardins especiais, para que aí se alimentem, em cidades como Londres e Paris.

Em que lugares do mundo vivem?

As abelhas vivem em todos os continentes do mundo, exceto na Antártida2. Podem ser encontradas desde do nível do mar até às mais altas montanhas. Algumas espécies de abelhões do género Bombus podem viver a 5.600 m de altitude e foram encontrados exemplares que podem chegar a voar a 9.000 m3. As abelhas do mel (Apis spp.), não hibernam e podem sobreviver a temperaturas máximas de mais de 50ºC4 e mínimas de – 80ºC (por algumas horas)5, porque conseguem manter uma temperatura estável dentro das colmeias (entre 32 e 36ºC)6.  Se estão fora da colmeia podem entrar em coma a 9ºC e morrem entre -2 e -6ºC.

Flor de maracujazeiro com uma mamangava e abelhas do mel (Apis mellifera). Todas recolhem mel e pólen, mas só as abelhas grandes é que polinizam estas flores de forma eficiente. Imagem © Maiza Felipe Saffioti

Onde se podem ver / encontrar?

Podemos encontrar abelhas em todos os ambientes que tenham plantas com flores, incluindo os desertos. Cada abelha é também um pequeno ecossistema. Todas as abelhas têm microbiota, ou flora intestinal, formada no caso dos abelhões (Bombus spp.) por diferentes espécies de bactérias e fungos dependendo dos ambientes onde vivem7. As abelhas do mel, Apis spp., têm 8 a 10 espécies de bactérias e essas espécies variam dependendo da época do ano8. A maioria das abelhas é diurna, com horários de atividade em função dos períodos de abertura das flores onde recolhem alimentos. Porém, algumas espécies estão adaptadas a condições de pouca luz e vivem principalmente em florestas tropicais, podendo ocorrer também em zonas subtropicais, temperadas e áridas. Recentemente foram estudadas espécies de abelhas com hábitos crepusculares e noturnos, na floresta tropical de Daintree, na Austrália9.

Onde há mais espécies e como estão distribuídas no mundo?

Recentemente vários cientistas mapearam todas as espécies de abelhas e descobriram que elas distribuem-se no mundo com uns padrões bem definidos: contrariando a tendência da maioria de plantas e animais, há mais espécies de abelhas nas latitudes médias do planeta, nos ambientes secos e temperados, do que nas regiões equatoriais e tropicais. Também existe maior diversidade de abelhas em desertos e ambientes onde há plantas mais baixas com flores, do que nas florestas10.

Imagem Sergey Shmidt
As abelhas do mel (Apis spp.) visitam mais de 4 milhões de flores para produzir 1 kg de mel25

O mel é um alimento muito nutritivo mas perde qualidade se for aquecido a mais de 40ºC.

Quais os seus tamanhos e formas?

Uma das primeiras imagens de uma abelha gigante de Wallace viva. Megachile pluto, é aproximadamente 4 vezes maior do que uma abelha europeia. Imagem Clay Bolt.

A espécie mais pequena é a Perdita minima, tem menos de 2 mm, é solitária e vive no deserto de Sonora (EUA)11. A maior é a Megachile pluto, chegando a medir 6 cm (do tamanho do polegar de um adulto) e foi encontrada numa ilha pouco explorada da Indonésia, no arquipélago das Molucas do Norte12.

Quantas espécies há e como surgiram?

Existem mais de 20.000 espécies de abelhas conhecidas no mundo, das quais 1.100 se encontram na Península Ibérica13. As abelhas surgiram há uns 100 milhões de anos, com o aparecimento das primeiras plantas que produziram flores (Angiospermas)14. Diferenciaram-se das vespas e passaram a alimentar-se de pólen, néctar e óleos florais15. O fóssil mais antigo encontrado até à data tem 74 milhões de anos e é da abelha Trigona prisca16, uma espécie extinta. Há 500 espécies de abelhas que não têm ferrão. Vivem nas Américas, África e Oceânia17.

Que tipo de relações têm com outras espécies.

As abelhas têm relações de mutualismo com as plantas que lhes proporcionam néctar (contém açúcares), pólen (contém proteínas), resinas e óleos florais, retribuindo-lhes com a polinização das suas flores. Como indicado acima, têm relações simbióticas com bactérias e fungos, e as espécies que as abelhas têm desses microrganismos podem depender dos ambientes onde vivem, ou variar ao longo do ano, em função das flores disponíveis.

Entre as abelhas, há uma grande diversidade de formas de vida, que vai de espécies solitárias (a maioria, mais de 75%)18, a outras que se organizam em colónias numerosas e muito estruturadas (cerca de 10%). Entre estas últimas, encontramos as 11 espécies que fazem colmeias, produzem muito mel e podem picar, além de cerca de 500 espécies de abelhas sem ferrão que vivem em regiões tropicais e produzem um tipo de mel mais líquido19. A única espécie de abelha domesticada é a Apis mellifera, que conhecemos como abelha do mel.

Existem também algumas abelhas chamadas cleptoparasitas, que usam os ninhos e alimentos de outras 13%). As abelhas têm predadores (aves insectívoras, vespas, libélulas, entre outros) e parasitas (alguns ácaros, bactérias e fungos).

Imagem Hebert Santos
Os machos das abelhas do mel não têm ferrão. Só as fêmeas picam. 

O ferrão é uma estrutura que tem farpas, está conectado à parte final do abdómen da abelha e fica preso quando ela pica como defesa. Ao tentar retirá-lo, o intestino rompe-se e ela morre.

Ameaças e medidas de conservação

O declínio e as medidas de conservação das abelhas

O alarme geral foi dado em 200720, quando se publicou na América do Norte uma avaliação sobre o declínio dos polinizadores e os seus impactos na agricultura. Os resultados evidenciaram o chamado síndrome de desaparecimento das abelhas, com uma diminuição anual de 30% do número de abelhas  do mel (Apis mellifera)21, que é a espécie mais conhecida e espalhada no mundo. Sete anos mais tarde foi a vez de avaliar o estado das abelhas na Europa. Mais de metade das espécies europeias não pôde ser avaliada por falta de dados. Entre a outra metade das espécies, cerca de 25%, estão em declínio22. A partir destes resultados vários países europeus começaram a implementar programas de proteção para a conservação das abelhas, sobretudo nas áreas agrícolas. Afinal, trata-se de um desafio estratégico global que nos afeta a todos: a maioridade dos frutos, vegetais e sementes que proporcionam alimentos, fibras, remédios e combustível, dependem de animais para a sua polinização.

Hotel de insetos em Lambeth Parks, Londres. Imagem Eko-Kya

Como ajudá-las:

  • Plantar jardins, canteiros, margens de caminhos e cultivos com diversidade de plantas nativas com flores. As abelhas usam espaços pequenos e, se o conjunto dessas plantas for tendo sempre flores ao longo da primavera e do verão, é possível a conservação de populações saudáveis. 
  • Criar zonas de nidificação e proporcionar alguns pontos de água. As abelhas solitárias fazem os ninhos em pequenos orifícios no chão e em troncos. Os chamados hotéis de insetos são um bom recurso para elas.
  • Regular e reduzir o uso de pesticidas
  • Evitar espécies exóticas, porque muitas vezes com elas chegam outros organismos que podem gerar doenças e outras ameaças para as espécies locais.

Como nos podemos relacionar melhor com elas23?

Imagem Anni Kat

Em espaços naturais, jardins e hortas

Evitar:

  • Movimentos bruscos e suores frios. Ambos põem em alerta e acionam os mecanismos de defesa de abelhas e vespas. Manter a calma é a melhor proteção.
  • Soprar para afugentá-las. O dióxido de carbono que expulsamos na nossa expiração provoca alarme e desencadeia comportamentos de defesa.
  • Deitar-se num relvado ou prado se levar roupas de cores, e/ou tiver usado substâncias perfumadas (champô, gel, hidratantes, cremes, sabonetes, perfumes, etc.). Elas aproximam-se para investigar uma possível fonte de alimento.
  • Andar sem calçado num prado de flores onde estejam abelhas, abelhões e vespas.
  • Estar perto de ninhos de abelhas e vespas. Convém manter-se a uma distância prudente de 3 m no mínimo.
  • Obstruir as rotas de voo dos animais. Evite ficar em frente da entrada dos ninhos, mesmo que esteja a uma certa distância delas.  Se os quiser observar, situe-se a um dos lados da entrada.
A maioria das espécies de abelhas são solitárias, mas quase imperceptíveis como esta pequena abelha que recolhe pólen numa flor de urucum.
Imagem ©Marilda Cortopassi-Laurino
Mais de 75% das abelhas são solitárias. São discretas e pouco conhecidas. Muitas delas vivem em desertos24

Há espécies de abelhões (Bombus spp.) que cultivam fungos nos seus ninhos.

Convém:

  • Recolher a fruta no momento em que estiver madura ou quase. Retirar as frutas que estiverem no chão. As vespas têm preferência por elas.
  • Colocar redes mosquiteiras nas portas e janelas. Além de evitar a entrada de abelhas e vespas, também impedem o acesso de mosquitos. As vespas regressam aos ninhos ao anoitecer e guiam-se pelas fontes de luz.
  • Em piqueniques para desviar a atenção das vespas e abelhas da sua mesa, prepare um lugar alternativo a uns 5 a 10 metros de distância para que aí se alimentem. Pode colocar uvas maduras ou outras frutas que também tenham um alto conteúdo de açúcar.
  • Tapar os recipientes com bebidas adocicadas e não beber diretamente de latas e garrafas, prefira colocar a bebida num copo ou usar uma palhinha (preferentemente reutilizável).
  • Se detectar ninhos de abelhas ou vespas em edifícios contacte os bombeiros ou associações
  • Se encontrar uma abelha no chão, sobretudo em dias quentes, ela deverá estar exausta ou desidratada. Pode ajudá-la pondo-lhe algumas gotas de água ou mel perto da boca. Quando estiver recuperada, voará e continuará o seu trabalho.

Sugerimos

Descobrir…

Viu, fotografou e quer saber qual é a espécie?

Wilder & Biodiversity4all
Sites que proporcionam a identificação de espécies fotografadas

Quer saber mais sobre as abelhas?

SITES
A.B.E.L.H.A

PARA ESCOLAS
Ciencia Viva

PARA CRIANÇAS
Fábula ilustrada de Karthika Nair & Joëlle Jolivet, J. The honey hunter. 2015
Le Tigre de Miel – Joëlle Jolivet & Karthika Naïr
(Também em Francês) Le tigre de miel. Hélium éditions, 2013
(Alemão) Der Honigdieb. Gestalten, 2014
(Bengali) মধু শিকারি 2015

VIDEOS

imagem de capa Erik Karits


  1. Cerca de 70% das plantas do mundo precisa de polinizadores, tendo em conta o total de espécies de plantas conhecidas pela ciência (374.000 até 2016), sendo que 258.460 delas são plantas com flores e que 87,5% destas depende em alguma medida de animais para a sua polinização.
    Dados e estimativas de: Ollerton, J., Winfree, R, & Tarrant, S. (2011). How many flowering plants are pollinated by animals? Oikos 120:321-326. e Christenhusz, M.J.M & Byng, J.W. (2016). The number of known plants species in the world and its annual increase. Phytotaxa, [S.l.], v. 261, n. 3, p. 201–217, may 2016.1179-3163.
  2. Molina, C & Bartomeus, I. (2019). Guía de campo de las abejas de España. Castellón: Tundra..p:23.
  3. Dillon M.E. & Dudley, R. (2014). Surpassing Mt Everest: Extreme flight performance of alpine bumble-bees. Biol. Lett. 10 (2):20130922
  4. Kovac, H. et al (2014). Metabolism and upper thermal limits of Apis mellifera carnica and A. m. ligustica. Apidologie. 2014; 45(6): 664–677.
  5. Southwick, E.E. & Heldmaier, G. (1987). Temperature control in Honey Bee Colonies. BioScience 37 (6):395-399.
  6. Ídem Ref. 5
  7. Bosmans, M et al. (2018). Habitat-specific variation in gut microbial communities and pathogen prevalence in bumblebee queens (Bombus terrestris). PLoS ONE 13(10): e0204612.
  8. Kešnerová, L.et al. (2020). Gut microbiota structure differs between honeybees in winter and summer. ISME J. 14, 801-814.
  9. Dorey, JB, Fagan-Jeffries, EP, Stevens, MJ & Schwarts, MP. (2020). Morphometric comparisons and novel observations of diurnal and low-light-foraging bees. Journal of Hymenoptera Research 79:117-144.
  10. Orr et al., Global Patterns and Drivers of Bee Distribution, Current Biology (2020) link
  11. Buchman, S. Perdita minima – “World’s smallest bee”. USDA. link
  12. Bolt, C. (2019). Rediscovering Wallace’s Giant Bee. Global Wildlife Conservation.
  13. Herrera, C.M. em: Molina, C & Bartomeus, I. (2019). Guía de campo de las abejas de España. Castellón: Tundra. p: 13-15.
  14. Molina, C & Bartomeus, I. (2019). Guía de campo de las abejas de España. Castellón: Tundra..p: 23.
  15. Molina, C & Bartomeus, I. (2019). Guía de campo de las abejas de España. Castellón: Tundra..p: 27.
  16. Michener, C.D. & Grimaldi, D.A. (1988). The Oldest Fossil Bee: Apoid history, evolutionary stasis, and antiquity of social behavior. Proceedings of the National Academy of Sciences 85(17):6424-6
  17. Michener, C.D. (2007). The bees of the World. John Hopkins Press.
  18. Danforth, B.N, Minckley, R.L. & Nef, J.L. (2019). The Solitary Bees: Biology, Evolution, Conservation. Princeton University Press. p. 25
  19. Michener, C.D. (2007). The bees of the World. John Hopkins Press.
  20. National Research Council. (2007). Status of Pollinations in North America.
  21. Imperatriz-Fonseca, V.L et al. (Orgs). (2012). Polinizadores no Brasil: contribuições e perspectivas para a biodiversidade, uso sustentável, conservação e serviços ambientais. São Paulo: EDUSP. p 19
  22. Molina, C & Bartomeus, I. (2019). Guía de campo de las abejas de España. Castellón: Tundra..p: 35
  23. Algumas indicações baseiam-se em: Menkhoff, I. & Jutta, G. (2014). El gran libro de las abejas. Fackelträger. 320 p.
  24. Danforth, B.N, Minckley, R.L. & Nef, J.L. (2019). The Solitary Bees: Biology, Evolution, Conservation. Princeton University Press. p. 25
  25. https://abelha.org.br/curiosidades/
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Eko-Kya: A teia da Vida

A teia da vida

Bem-vindos ao Blog EKO-KYA. Neste primeiro post damos a conhecer o projeto e o que podem esperar deste blog.

Eko-kya connections

EKO-KYA nasce da esperança de uma reconexão das pessoas com a vida através da observação e experimentação consciente da Natureza. Num mundo em que somos “bombardeados” por informação diariamente é fácil distrairmo-nos, ficarmos absorvidos pelos nossos problemas e obsessões, deixarmos de viver e passarmos a sobreviver. Este estado leva-nos a quebrar aquilo que temos de mais precioso – as relações. Um estudo de Harvard1 iniciado há mais de 80 anos mostra-nos que a qualidade das nossas relações afeta diretamente a nossa saúde e o nosso estado de plenitude. 

Também somos parte da Natureza, que, em diferentes escalas, depende de interações para se manter saudável e em equilíbrio dinâmico. E somos milhões de milhões de seres a viver neste planeta. A palavra biodiversidade significa as várias  dimensões desses seres vivos e das relações entre eles. 

Como em todas as relações, começamos por conhecer com quem ou com o quê nos relacionamos e, a partir daí, que tipo de relações desenvolvemos em função de necessidades, hábitos e costumes. 

Existem 7.117 línguas diferentes no mundo2, 7.117 maneiras diferentes de pensar e descrever o mundo, quem e como o habita. E há também conhecimento que se desenvolve quando pessoas de diferentes línguas partilham experiências e saberes, mesmo sendo contra-corrente quanto às crenças e pensamentos predominantes. É o caso do conhecimento sobre como funciona a natureza, um conhecimento que tem crescido nos últimos 340 anos nas culturas ocidentais, a partir da constatação dos limites dos recursos naturais e dos processos ecológicos, feitos por um inglês3, um francês4, dois americanos5 e um alemão6, em face à progressiva destruição das florestas pelo desenvolvimento tecnológico. 

Noutros grupos humanos, o conhecimento estruturou-se com base no contacto com as plantas, fungos e animais, e pela observação das suas características e dos seus hábitos. São as culturas dos povos dos desertos, das florestas, dos manguezais, dos litorais e tantos outros ambientes naturais ainda preservados, que vivem de maneira integrada com os lugares onde habitam, de forma a obter os recursos necessários e proporcioná-los às gerações seguintes. Esses povos têm sido os melhores gestores dos seus habitats e é em grande parte graças a eles, que a diversidade biológica se mantém rica. Temos muito a aprender deles e com eles.

Nos últimos séculos as populações humanas têm aumentado a tendência a concentrar-se em cidades (55% do total das pessoas, atualmente)7, o que tem limitado, geração a geração, os nossos contactos com outros seres vivos e com os processos naturais que ocorrem ao longo do tempo. As crianças chegam a conhecer mais marcas comerciais que nomes de plantas e animais numa proporção superior a 100 logos para 1 espécie8. Esta progressiva perda de contacto, sobretudo na infância, foi identificada em 1978 como a “extinção da experiência” no mundo natural9. Que futuro gera essa desconexão? É possível potencializar o contacto e o mundo natural nas cidades? Algumas como Paris e Londres, estão a desenvolver iniciativas nesse sentido.

EKO-KYA propõe-se ser um eixo de encontros, centrado na “teia da vida”, para contribuir a descobrir ou redescobrir a biodiversidade a partir do dia a dia, a reconexão com a vida e a lembrança de que fazemos todos parte de algo maior.

Em eko-kya.net, disponibilizamos recursos e propomos novas formas de conexão com a Natureza, de forma simples e criativa. Conectamos a biodiversidade com o dia a dia através de materiais ilustrados e atividades para os mais jovens, desenvolvemos projetos específicos com organizações e escolas para uma integração modular de relações e conceitos-chave, com caráter ecológico e geográfico.

Neste blog iremos contar histórias, partilhar artigos científicos e notícias que mostram como a biodiversidade é imprescindível para a vida neste planeta.

Semeamos experiências para desenvolver a consciência, colhermos a conexão e partilharmos o conhecimento para uma vida biodiversa.

Equipa Eko-Kya
Equipa EKO-KYA

  1. https://news.harvard.edu/gazette/
  2. https://www.ethnologue.com/
  3. Em 1664, o paisagista e escritor inglês John Evelyn identificou a importância de um dos recursos naturais mais importantes na época, a partir da sua escassez. “Estaríamos melhor sem ouro do que sem madeira”, escreveu, porque sem árvores não haveria fabricação de ferro nem cristais, nem fogos que aquecessem as casas durante as frias noites de inverno, nem uma armada que protegesse as costas de Inglaterra.
  4.  Em 1669, Jean Baptiste Colbert, ministro de finanças francês, disse, ao apresentar medidas drásticas que limitavam o uso dos bosques próximos às povoações: “França morrerá por falta de madeira”.
  5.  Em 1749, o agricultor e recolector de plantas John Bartram partilhava com o seu amigo Benjamin Franklin o seu temor: “a madeira estará em breve quase totalmente destruída”.
  6.  Em 1800, Humboldt foi o primeiro a explicar as funções fundamentais do bosque no ecossistema e no clima: a capacidade das árvores de armazenar água e enriquecer a atmosfera com a sua humidade, a proteção que davam ao solo e o seu efeito de arrefecimento. A fonte das referências 3 a 6 é: Wulf, A. (2016). La invención de la naturaleza: el nuevo mundo de Alexander von Humboldt. Barcelona: Taurus.
  7. Segundo a ONU em 19.02.2019, “55% da população mundial vive em áreas urbanas e a expectativa é de que esta proporção aumente para 70% até 2050”.  https://news.un.org
  8. Balmford A., Clegg L., Coulson T., Taylor J. (2002). Why conservationists should heed Pokémon. Science 295: 2367.
    (PDF) Why Conservationists Should Heed Pokémon
  9.  Pyle, R.M. (1978). The extinction of experience. Horticulture, 56(1), 64-67.
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